Muralha da China

Está pensando em viajar?

Um blog de viagens não precisa ter fotos do destino. Sabe por quê? Porque viajar também é um exercício de imaginação. Não precisamos conhecer um lugar por imagens antes de chegar lá. Por isso, busco preservar a curiosidade e a capacidade de encantamento do meu leitor, incentivando-o a imaginar paisagens, sons, aromas e sensações antes da partida. Afinal, parte da magia da viagem está justamente em descobrir o desconhecido com os próprios olhos.

E que seja desconhecido mesmo. Afinal, o enriquecedor da vida é conhecer coisas novas e formar a própria impressão sobre um lugar: se é bonito ou feio, estranho ou familiar, parecido com o que imaginávamos ou completamente diferente.

Para quem viaja pela primeira vez, é importante notar que as melhores lembranças costumam surgir dos lugares descobertos por acaso. Elas também surgem das situações que acontecem fora do roteiro tão planejado e detalhado. As melhores histórias nascem dos momentos em que precisamos improvisar e somos encorajados a sair da nossa zona de conforto. É nesse momento que a viagem deixa de ser apenas um deslocamento e se transforma em uma experiência de descoberta.

Nunca viajei para a China. É o o meu próximo objetivo. Mas já vi centenas de pessoas tirando fotos na Muralha. Certamente a imensidão dessa construção datada do século VII a.C vai surpreender pela grandeza. Seu uso histórico como fronteira e defesa dos 21.196,18 km (mais longa que a distância entre São Paulo e Tóquio) ficou no passado.

Agora serve de cenário para milhões de turistas. Vejo tantas fotos deste atrativo que logo vem à cabeça o cenário instagramável. Tem pessoas que ensinam até como e onde devemos tirar as melhores fotos. Com licença, prefiro descobrir sozinha.

Atualmente tudo pode se tornar um fenômeno de turismo de massa quando um vídeo viraliza nas redes sociais. É o caso do vendedor de milho turco, Alper Temel. Um jovem bonito de 25 anos que viu sua vida mudar depois que seus vídeos viralizaram nas redes sociais. Não pela comida, mas por sua beleza. O moço virou um atrativo turístico na incrível Istambul.

No fim das contas, a viagem que realmente importa não é aquela que cabe no enquadramento de uma câmera, mas a que expande os limites da nossa percepção. O cheiro do tempero em uma ruela de Istambul, o vento gelado no rosto ao observar a Muralha ou o silêncio de um lugar desconhecido são ‘instagramáveis’ apenas para a nossa memória. Ao fechar os olhos e permitir que a imaginação guie o roteiro, recuperamos o direito de ser protagonistas da nossa própria descoberta, longe dos filtros e das expectativas alheias. Surpreenda-se!

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ESCRITO POR
Eanne Leite
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